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	<title>Furo na cortina</title>
	<subtitle type="html">A vis&#227;o daqueles que fazem o espet&#225;culo por tr&#225;s das cortinas</subtitle>
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	<tagline>A vis&#227;o daqueles que fazem o espet&#225;culo por tr&#225;s das cortinas</tagline>  
	   
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		    <title type="text/plain" mode="xml">S. Careca</title>
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		    <updated>22.08.08 21:58:32</updated>
		    <published>22.08.08 21:58:32</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Ontem soube que S. Careca, um dos nossos convidados aqui do blog e&#160;um dos cenot&#233;cnicos mais antigos do Brasil, faleceu. 
N&#227;o sei a data exatamente, mas foi h&#225; alguns meses. 
Ele morava embaixo do palco do Teatro Artur Azevedo, na M&#243;oca. E foi de l&#225; que nos deixou. Dormindo.
Com certeza o elenco l&#225; de cima agora est&#225; muito melhor. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">N&#250;mero 3 Max Schiftan segunda parte</title>
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		    <updated>31.03.08 23:29:53</updated>
		    <published>31.03.08 23:29:53</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Voc&#234; falou de um t&#233;cnico novo que chegou assustado uma vez... Isso aconteceu na Dina (Sala Dina Sfat)...os caras escutavam passos, gente andando. Normalmente as pessoas iam subir l&#225;, e falavam assim: &#8220;Tem um barulho l&#225;! Tem algu&#233;m andando no palco!&#8221; E eu falava: &#8220;Porra! N&#227;o tem ningu&#233;m no palco!&#8221; / &#8220;N&#227;o! Vamo l&#225; comigo!&#8221; Tinha cara que n&#227;o subia sozinho nem ferrando. E n&#227;o tinha ningu&#233;m. Mas voc&#234; realmente escutava os passos. &#201; aquele neg&#243;cio, &#233; voc&#234; acreditar ou n&#227;o. Eu vi, ent&#227;o eu acredito. Mas tem gente que fala que isso n&#227;o existe. Agora dentro de teatro antigo isso existe. No municipal j&#225; t&#225; provado que existe. E o Ruth Escobar tamb&#233;m &#233; um teatro antigo. O S&#233;rgio Cardoso os t&#233;cnicos velhos do S&#233;rgio: o Ga&#250;cho, o Orlando. Os caras contam que o elevador funciona sozinho a noite. Os caras falam isso at&#233; hoje. Os caras s&#227;o t&#233;cnicos h&#225; muitos anos no S&#233;rgio. Uma vez eu me lembro de uma fase que foi engra&#231;ad&#237;ssima, esse programa que a gente tava comentando agora da Bravo Brasil, quem montava era o Estev&#227;o, e a gente dava suporte t&#233;cnico de luz do teatro, e o Estev&#227;o levou o filho dele, o J&#250;nior. Ent&#227;o ficava o J&#250;nior e o Ney que &#233; filho do Chimanski pra fazer a montagem. E o J&#250;nior tava uma vez l&#225; no palco de madrugada e tava todo mundo meio dormindo. O programa ia ser de manh&#227;, ent&#227;o tava todo mundo meio dormindo, e de repente esse cara acordou assustado. Ele ouviu um barulho e foi sair correndo. E tava abaixado s&#243; os cabos de a&#231;o da vara. Ele se enroscou num cabo de a&#231;o. Enroscou o pesco&#231;o no cabo de a&#231;o e saiu do ch&#227;o, porque ele veio correndo. Ent&#227;o ele se enroscou e ficou gritando. E ficou pendurado. Sem brincadeira. Tava eu, o Paulo que fez aqui as cortinas, o Ney, e o cara se enroscou de assustado, saiu gritando e se enroscou no cabo de a&#231;o e quase morreu enforcado por causa dos passos que ele ouviu. Tem umas coisas no Ruth de t&#233;cnicos que &#233; engra&#231;ado. Teve um t&#233;cnico que tinha 16 anos quando come&#231;ou l&#225; no Ruth Escobar a fazer teatro. Dois! Eram dois. Os dois tinham 16. Dois caras que hoje trabalham aqui inclusive. E a gente tava fazendo um espet&#225;culo que era o &#8220;Eu sei que vou te amar&#8221;. Era a Julia (Lemmertz) e o Alexandre (Borges). E l&#225; tinha uma quartelada que abria. E muita gente no palco, porque era um puta palco pesado. A&#237; tava o Cl&#225;udio e o Andr&#233; carregando uma caixa...os caras s&#227;o loucos. O Andr&#233; de costas, o Cl&#225;udio de frente... &#8220;olha o buraco!&#8221; Foi falar &#8220;olha o buraco!&#8221;, o cara caiu no buraco. Sumiu o cara e a caixa dentro do buraco! Isso faz 10, 11 anos. Aquele buraco, se ele cai no ch&#227;o... eu falei &#8220;morreu&#8221; ...todo mundo falou &#8220;o cara morreu&#8221;. Porque a dist&#226;ncia do palco at&#233; l&#225; embaixo&#233; mais ou menos seis, sete metros. E voc&#234; caindo de costas com uma caixa no peito, j&#225; era. S&#243; que cara, &#233; filme! Tem um patamar. Tem a quartelada e tem um patamar pro cara cair no ch&#227;o. O patamar &#233; dois metros e o buraco &#233; oito metros. Ele caiu no patamar! Ele abra&#231;ado com a caixa, assim, no patamar. Passagem com ator... A Giorgia Gomide caiu do palco. Na Dina Sfat, o palco da Dina Sfat &#233; relativamente alto. Tem mais ou menos um metro, e tinha uma cena que ela vinha de costas. Ela veio, veio... e caiu na plat&#233;ia! Mas a&#237; tinha m&#233;dico e tudo bem. Teve uma cena, se eu n&#227;o me engano, no espet&#225;culo &#8220;Sexo, chocolate e Zambel&#234;&#8221;. Era do Eduardinho Silva, do Aldo (Avilez), do Fernando Petelinkar. Era um espet&#225;culo que rodou S&#227;o Paulo inteira. E eu tinha um t&#233;cnico...o Seu Nelson. Velhinho, eletricista. Seu Nelson era muito engra&#231;ado. Tava tendo espet&#225;culo. Ele sempre tinha pressa de ir embora. &#8220;Eu quero ir embora...preciso ir embora...&#8221; E ficava l&#225; enchendo o saco. 10h30 da noite, de repente, &#8220;&#212; Max!&#8221; Ele com a chave dos dimers na m&#227;o. E todos os atores gritando: &#8220;Ei! Acabou a luz!!!&#8221; Ele desligou a chave geral da sala e subiu com a chave na m&#227;o. As pessoas na plat&#233;ia gritando: &#8220;Porra acende a&#237;...acabou a luz no teatro!&#8221; Ele desligou a luz pra ir embora. &#8220;P&#244;! Seu Nelson! Acabou com a luz do teatro! Liga l&#225;! N&#227;o acabou o espet&#225;culo!&#8221; / &#8220;Porra, pensei que tinha acabado o espet&#225;culo.&#8221; E esse mesmo, o Seu Nelson, teve um espet&#225;culo com a M&#225;rcia Real, o Nelson Baskerville, e no final a M&#225;rcia Real fazia um sorteio de um brinde. Nesse dia, numa quinta-feira, tava vazio o teatro. O Seu Nelson escreveu o nome da fam&#237;lia inteira e colocou na urna. E a M&#225;rcia Real fazia o sorteio. O sobrenome dele era Massaro. E a M&#225;rcia: &#8220;Fulano Massaro!&#8221; ...ningu&#233;m... &#8220;Cida Massaro!&#8221; ...ningu&#233;m... e o p&#250;blico... &#8220;Eh! S&#243; sai pra essa fam&#237;lia Massaro?!&#8221; A M&#225;rcia sorteava &#8220;N&#227;o sei o qu&#234; Massaro!&#8221; O P&#250;blico &#8220;&#211; l&#225;! S&#243; tem Massaro ali!!!&#8221; Ela sorteou o nome da fam&#237;lia inteira dele que tava dentro da urna. A&#237; no dia seguinte. Ele n&#227;o tinha ficado nesse dia. Eu falei &#8220;&#212;, Seu Nelson! O senhor foi sorteado. O senhor ganhou uma passagem. A filha do senhor ganhou uma passagem pra Salvador, Hotel Mediterran&#233;!&#8221; Ele era italianinho: &#8220;Porra, ma eu num tava aqui?!&#8221; / &#8220;&#201; melhor o senhor falar com a M&#225;rcia Real.&#8221; / &#8220;Porra, vou te que arm&#225; uma descurpa, fal&#225; que minha filha tava com dor de barriga, e que foi no banheiro.&#8221; E ele foi l&#225; falar com a M&#225;rcia Real: &#8220;M&#225;rcia, c&#234;s sortearam a passagem pra Salvador, foi minha filha que ganhou, mas ela tava aqui, &#233; que ela tinha ido no banheiro.&#8221; A M&#225;rcia: &#8220;Seu velhinho safado!&#8221; </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">N&#250;mero 3  Max Schiftan primeira parte</title>
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		    <updated>20.03.08 10:25:01</updated>
		    <published>19.03.08 23:19:37</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">&#160;

&#160;
Max Schiftan atualmente &#233; administrador do Teatro Folha no Shopping Higien&#243;polis. Este depoimento foi concedido em 08 de outubro de 2003.
Sei l&#225;, acho que hist&#243;ria tem. Eu fiz muito tempo show. Eu viajei com show. A&#237; na verdade eu comecei a administrar teatro, mais ou menos em 83, 84. Comecei l&#225; no Teatro Carlos Gomes no Rio. Que era um teatro que o Poladian comprou, ele arrendou esse teatro pra fazer alguns espet&#225;culos no Rio. Ent&#227;o n&#243;s fomos l&#225; pra cuidar do teatro.Voc&#234; imagina um teatro antigo, na pra&#231;a Tiradentes, n&#243;s paulistas, paulistanos, com um monte de t&#233;cnico carioca, que estavam acostumados com o ritmo do Rio de Janeiro que &#233; todo diferente, n&#227;o que l&#225; seja ruim, l&#225; tem &#243;timos t&#233;cnicos, l&#225; tem gente maravilhosa, os iluminadores l&#225; s&#227;o maravilhosos. Mas era outro ritmo. A gente chegando de S&#227;o Paulo na pra&#231;a Tiradentes, um neg&#243;cio meio: Tiradentes, Largo da Carioca que um lugar que &#233; o Rio de Janeiro puro. Que &#233; a mesma coisa que voc&#234; vim do Rio e chegar aqui na Bela Vista, chegar dez caras do Rio e: &#8220;agora n&#243;s vamos tomar conta desse teatro na Bela Vista&#8221;. Foi meio complicado, mas depois a hist&#243;ria vai se ajeitando, porque era um teatro maravilhoso. Teatro Carlos Gomes, era um teatro que estava todo caindo. A&#237; n&#243;s fizemos reforma, fizemos banheiro, camarim, quer dizer, n&#243;s fizemos uma puta reforma no teatro. Estreou, eu lembro que estreou a Miriam Rios, ela estreou esse teatro. Na &#233;poca ela tava com o Roberto Carlos, era um espet&#225;culo infantil, era uma Cinderela, Roberto Carlos ia assistir os ensaios. Estreou, ficou um tempo em cartaz, foi bem, claro, teatro da m&#237;dia, na &#233;poca era uma puta m&#237;dia aquele teatro. A&#237; foi tempo, teve Ney Matogrosso l&#225;, a&#237; j&#225; era mais Show. E a&#237; n&#243;s fizemos um carnaval no Rio de Janeiro, porque no Carlos Gomes h&#225; muitos anos atr&#225;s faziam um carnaval, aqueles carnavais tradicionais, bailes &#224; fantasia do Rio de Janeiro, e n&#243;s fizemos um baile de carnaval. Tentaram fazer com que tivesse de novo os bailes de carnaval do Rio, n&#227;o rolou, teve uma noite s&#243; o carnaval e acabou. Foi uma noite de carnaval. Foi da&#237; que n&#243;s voltamos do Rio. Fechou o teatro l&#225;, hoje o teatro t&#225; na m&#227;o do Aderbal Freire. A&#237; volta pra S&#227;o Paulo, depois de um tempo, eu peguei o Ruth Escobar, viajei com algumas pe&#231;as, mas a minha vida era mais no Ruth Escobar. Desde 89. E no Ruth n&#233;? Tr&#234;s salas, um teatro enorme, e sempre tem algumas passagens. Todo mundo fala &#8220;N&#227;o! Voc&#234; &#233; maluco! Porque voc&#234; viu isso!&#8221; Uma vez eu tava no por&#227;o, o por&#227;o do Ruth Escobar, o por&#227;o da Gil Vicente. L&#225; &#233; o por&#227;o mais tradicional de S&#227;o Paulo, acho que &#233; o por&#227;o mais famoso de S&#227;o Paulo, que &#233; o do Ruth Escobar, da Gil Vicente. Dizem que aquele por&#227;o era um cemit&#233;rio ind&#237;gena. Dizem n&#227;o! &#201; verdade! Quem viveu ali sabe que o por&#227;o da Gil Vicente era um cemit&#233;rio ind&#237;gena. Ali &#233; um morr&#227;o. Porque se voc&#234; desce do sagu&#227;o do Ruth at&#233; l&#225; em baixo &#233; um pr&#233;dio de oito andares pra baixo, at&#233; o por&#227;o. Ali era um cemit&#233;rio. E ali alagava. Porque ali tinha uma fossa, que tem at&#233; hoje, e aquela fossa transbordava. Ent&#227;o voc&#234; imagina que aquele por&#227;o, que &#233; um por&#227;o alto pra caralho, ficava lotado de merda. Era s&#243; merda aquele por&#227;o interio. E a&#237; voc&#234; tinha que entrar pra pegar alguma coisa l&#225; e voc&#234; tinha que entrar na merda. Porque o por&#227;o ficava lotado de merda. Ele ficava assim uns, dava um metro de merda. Ali se falava que morreu um cara, que morreu um eletricista. Eu n&#227;o sei se &#233; verdade isso, em 62, 63, um cara tinha morrido na parte el&#233;trica. Porque a &#225;gua cobria tudo, inclusive a parte debaixo do palco e os atores ficavam em cima, e subia um puta cheiro, e aquilo invadia pro p&#250;blico. Mas mesmo assim lotava, porque teve o Ubu l&#225; lotado, Almanaque Brasil lotado, mesmo nessa &#233;poca que ficava um puta cheiro de fossa, porque &#233; inevit&#225;vel n&#233;? A&#237; depois fizemos o encanamento. Isso resolveu. Bombeava &#225;gua pra rua. Mas no come&#231;o era isso mesmo. No come&#231;o, isso j&#225; em 80...porque o teatro Ruth Escobar foi reformado do sagu&#227;o pra cima, e do sagu&#227;o pra baixo ele n&#227;o foi reformado. Ficou como era desde 63, que estreou o teatro com a &#211;pera dos tr&#234;s vint&#233;ns. Estreou em dezembro de 63, acho que dia 03 de dezembro de 63, se n&#227;o me engano, que abriu o Ruth Escobar. A&#237; eu me lembro um dia que eu tava sozinho l&#225; na sala Gil Vicente, eu tava pintando parede. Tem gente que n&#227;o acredita, tem gente que acretida. Eu tava pintando sozinho l&#225;. A&#237; eu vi uma mulher subindo as escadas do camarim. Continuei l&#225; n&#233;. A&#237; eu olhei assim de novo a mulher voltou. Eu t&#244; sozinho, vou ver quem &#233;. A&#237; eu subi, quando cheguei, falei: &#8220;Cara quem &#233; essa mulher que t&#225; andando por a&#237;?&#8221; A&#237; o Z&#233; Carlos, que era um cara que tinha l&#225;, Z&#233; Carlos era um cara que cuidava l&#225;...disse: &#8220;N&#227;o! N&#227;o tem ningu&#233;m no teatro. S&#243; t&#225; eu e voc&#234;.&#8221; Falei: N&#227;o! Nem fudendo. A mulher passava l&#225;, t&#244; pintando aqui e essa mulher passando ali. Porque l&#225; tem uma passarela que &#233; dos camarins. Na boa, eu procurei, procurei, revirei o teatro e n&#227;o achei essa mulher. E conversando com as pessoas, &#8220;aqui foi cemit&#233;rio ind&#237;gena, at&#233; pode rolar&#8221;, sei l&#225;...
&#160;</content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">Tempo de mudan&#231;a</title>
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		    <updated>27.08.07 13:01:01</updated>
		    <published>27.08.07 13:01:01</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Car&#237;ssimos leitores
Enquanto parte da minha vida est&#225; encaixotada, enquanto esperamos a pr&#243;xima entrevista que ser&#225; com Max Schiftan atual administrador do Teatro Folha, enquanto isso...fiquem com essa dica essencial para quem quer se divertir:
&#34;Beterrabas, Segredos e Patacoadas&#34;
Commedia dell'Arte infantil inspirada em obra de Oscar Von Pfuhl
S&#225;bados e Domingos - 16h
Teatro Ruth Escobar
Um espet&#225;culo da Confraria do Beco Teatro&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">N&#250;mero 2  S. Careca segunda parte</title>
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		    <updated>14.08.07 21:38:24</updated>
		    <published>14.08.07 21:38:24</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Eu trabalhei com o Fl&#225;vio Rangel. Eu tenho o maior orgulho de ter conhecido esse povo todo, porque eram pessoas que amaram o teatro e continuam amando, porque ainda est&#227;o vivos e outros que j&#225; foram pra Deus, e a gente s&#243; tem que fazer lembran&#231;a deles, que &#233; o maior orgulho que tem um ser humano depois que ele desencarna. A melhor coisa que tem &#233; quando voc&#234; tem a lembran&#231;a de algu&#233;m que voc&#234; conheceu, que marcou. Essas pessoas, pra mim, marcaram demais. Eu trabalhei com uma mulher, a N&#233;lia Paula, uma grande atriz de revista. Eu n&#227;o me recordo mais porque a essa altura dos acontecimentos...t&#244; com 70 anos, mas eu continuo dentro do teatro. E espero terminar minha vida dentro do teatro. O falecido S&#233;rgio Cardoso...inclusive eu tenho uma lembran&#231;a dele muito positiva depois que ele foi pra Deus. Eu estava trabalhando no Teatro S&#233;rgio Cardoso, que foi inaugurado no dia 13 de outubro de 1980. E eu estava trabalhando l&#225;, fazendo uma montagem que parece, se eu n&#227;o me engano, foi uma montagem que trouxe a Claudia Raia pro Brasil, de volta. Porque ela morava nos Estados Unidos se eu n&#227;o me engano. E ela veio pra Brasil com o Walter Clark. O Walter Clark foi o diretor dessa pe&#231;a. E eu tava fazendo essa montagem junto com mais alguns amigos meus que j&#225; foram pra Deus, o falecido Espanhol, o neguinho e outros mais. Eram excelentes profissionais cenot&#233;cnicos. Eu olhei e falei : &#8220;Puxa vida! J&#225; foi todo mundo embora.&#8221; Eu tava no urdimento do S&#233;rgio Cardoso. O urdimento tem 22 metros de altura. A&#237; eu falei : &#8220;Puxa vida! Foi todo mundo embora. Ent&#227;o eu vou terminar o meu servi&#231;o aqui e vou descer.&#8221; A&#237; desci as escadarias...quando eu cheguei no palco, que eu fiquei sozinho no palco...porque a plat&#233;ia do S&#233;rgio Cardoso, a grande, ela &#233; inclinada, ela n&#227;o &#233; nivelada perante o palco. Ent&#227;o eu escutei um barulho, e eu vi a porta onde entra o p&#250;blico abrir. Ela abriu. Eu vi o S&#233;rgio Cardoso todo branco com um texto na m&#227;o. Eu vi ele com um texto na m&#227;o, lendo um texto. Naquele momento eu fiquei est&#225;tico, fiquei parado. Eu parei e...fiz uma ora&#231;&#227;o, um Pai Nosso pra ele. E ele a&#237;, ficou me olhando, recuou e a porta se fechou. Isso &#233; coisa que me emociona. Agora eu, por exemplo, moro aqui no Teatro Artur Azevedo. E, &#225;s vezes, eu at&#233; escuto de noite voz de soprano, piano tocando...&#233; super importante, a gente tem que saber que o teatro tem vida, s&#227;o quatro paredes, &#233; uma caixa. Teatro &#233; uma caixa. Naquilo ali eu organizo o cen&#225;rio, eu organizo o palco, mas se o artista n&#227;o estiver l&#225; no palco, eu n&#227;o tenho a minha...o meu trabalho n&#227;o foi realizado, porque a presen&#231;a do artista dentro do teatro &#233; important&#237;ssima. Agora voc&#234; pra por o artista no palco, a companhia no palco, voc&#234; que administra, voc&#234; que faz alguma coisa, voc&#234; tem que auxiliar, voc&#234; tem que anunciar. Porque se voc&#234; n&#227;o anunciar que o artista t&#225; l&#225; dentro do palco, o p&#250;blico n&#227;o comparece. Porque a concorr&#234;ncia &#233; enorme. Aquilo que eu citei anteriormente no in&#237;cio do meu relato, hoje existe locadora de filme, hoje tem televis&#227;o paga. Mas n&#227;o &#233; todo povo que tem poder aquisitivo pra isso. Ent&#227;o voc&#234; tem que ir l&#225; nesse povo e trazer ele pra dentro do teatro. Agora mesmo terminou um projeto aqui da Secretaria Municipal de Cultura, que durou acho que mais de um m&#234;s. O maior p&#250;blico aqui parece que foi de noventa pessoas. Quer dizer, voc&#234; p&#245;e um grupo de artistas no palco pra vir sete, oito, doze pessoas, quinze pessoas. Isso t&#225; errado. E &#233; de gra&#231;a ainda. N&#227;o foi pago n&#227;o. Foi de gra&#231;a esse projeto que terminou agora. Ent&#227;o eu tenho uma saudade imensa, que eu trabalhava no TBC, em 1957, 58 era copa do mundo na Su&#237;&#231;a, Su&#233;cia, sei l&#225; eu. Eu trabalhava l&#225; com o Arquimedes, o irm&#227;o do Arquimedes, o Pupe, eu trabalhava com esse povo, e eu ficava sentado no primeiro degrau da escada que d&#225; acesso ao por&#227;o do palco do TBC grande. E o camarim da falecida Cacilda era do lado. Ent&#227;o ela passava, passava a m&#227;o na minha cabe&#231;a. Eu ia no Largo do Arouche, na Adega do Arouche, hoje &#233; um tal de grill l&#225;, &#8220;n&#227;o sei o qu&#234;&#8221; grill. Era um orgulho quando a gente sentava naquelas mesas, com aquelas cadeiras de madeira, eram aquelas mesas longas, vinha todo mundo de teatro, Inesita Barroso, Grande Otelo, Oscarito, Salom&#233; Par&#237;sio, que infelizmente hoje ningu&#233;m sabe quem foi essa mulher, que foi uma das maiores atrizes que o teatro de revista teve. Foi um monstro dentro do teatro. O Teatro Santana na rua Vinte e quatro de Maio, onde eu tive a honra de trabalhar l&#225; muitos anos, que era ao lado do teatro municipal. L&#225; o Teatro Santana era uma coisa grandiosa. Hoje &#233; uma galeria. Agora esse teatro aqui aonde eu estou, Teatro Artur Azevedo, ele &#233; um teatro maravilhoso. Eu fiz a reforma de todos os outros teatros. No governo da Erundina. O &#250;nico teatro que a Erundina n&#227;o conseguiu fazer a reforma foi o Teatro Jo&#227;o Caetano, l&#225; na Borges Lagoa, na Vila Clementino. Mas os outros teatros ela fez. Quando eu cheguei aqui no Teatro Artur Azevedo em 1991, isso aqui era mato puro. Tava fechado. O falecido J&#226;nio Quadros manteve isso aqui fechado oito anos mais ou menos. Essa bilheteria era de madeira, eu enfiava a orelha do martelo e ela entrava direto, era cupim puro. O palco, os camarins superiores, os camarins inferiores, tudo desajeitado. Ela reformou sem tirar a est&#233;tica do teatro. Ela e a Marilena Chau&#237; que era secret&#225;ria da cultura na &#233;poca. Eles reformaram o pr&#233;dio sem tirar a est&#233;tica dele. Porque o Teatro Artur Azevedo, ele &#233; irm&#227;o do Teatro Jo&#227;o Caetano. Ele &#233; igualzinho. S&#243; que ele tem mais condi&#231;&#245;es. Ele tem entrada de caminh&#227;o, entrada de carro, tem estacionamento do lado. E o Teatro Jo&#227;o Caetano n&#227;o tem. Mas foi o mesmo engenheiro que fez esse teatro, em 1972. Porque esse teatro aqui foi inaugurado no dia 2 de Agosto de 1972, com uma pe&#231;a infantil. Chamava-se &#8220;O Pr&#237;ncipe Medroso&#8221;. Com a N&#237;dia L&#237;cia e um ator que eu n&#227;o me recordo o nome agora. O artista brasileiro de teatro &#233; um her&#243;i. Porque ele trabalha aqui, ele faz um infantil, esse mesmo artista, ele sai correndo pra fazer um adulto em outro teatro. Ele &#233; vers&#225;til. Ele se vira na frente do p&#250;blico. Ele perdeu o texto, ele vai...porque antigamente existia o ponto. Era um cara que ficava na boca de cena, num buraco, com uma coisa cobrindo ele, pra ningu&#233;m ver ele, com uma luz ali, e ele com a pe&#231;a todinha na m&#227;o dele, se o artista se perdia, ele ficava ligado, ele dava continuidade na palavra do artista. Esse &#233; o depoimento que eu dou. E vamos torcer para que a gente possa fazer um teatro digno. Uma coisa mais forte, que o governo possa apoiar melhor a classe teatral, porque ela merece, porque como eu disse, os artistas s&#227;o uns her&#243;is, junto com os t&#233;cnicos. Porque eu como t&#233;cnico, que comecei em 1947, hoje &#233; 2004, tenho quase 60 anos de teatro, eu digo, o meu trabalho, ele s&#243; &#233; recompensado, quando o artista t&#225; em cena. Se o artista n&#227;o estiver em cena, n&#227;o valeu nada o que eu fiz. Mas pra ele estar em cena, eu quero ver o p&#250;blico tamb&#233;m na plat&#233;ia. E pro p&#250;blico estar na plat&#233;ia, tem que ter incentivo. Do governo. Porque do jeito que t&#225; indo, eu n&#227;o t&#244; vendo incentivo nenhum. T&#244; vendo artistas amigos meus, est&#227;o todos lutando por uma sobreviv&#234;ncia impressionante. S&#227;o uns her&#243;is. S&#227;o uns her&#243;is. Sem eles, eu n&#227;o seria nada. Comecei com o Grande Otelo, Oscarito, viajei pela Europa, viajei pelo Brasil inteiro, viajei com o Z&#233; Vasconcelos, ent&#227;o eu digo, devo tudo o que eu sou, a pessoa que eu sou, din&#226;mica, devo ao teatro, e devendo ao teatro estou devendo ao artista brasileiro. Tenho a honra de dizer: S&#227;o meus amigos. Sem os artistas brasileiros eu n&#227;o seria nada. </content>
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