Furo na cortina

A visão daqueles que fazem o espetáculo por trás das cortinas

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A visão daqueles que fazem o espetáculo por trás das cortinas
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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

31.03.08

Número 3 Max Schiftan segunda parte

Você falou de um técnico novo que chegou assustado uma vez...

Isso aconteceu na Dina (Sala Dina Sfat)...os caras escutavam passos, gente andando. Normalmente as pessoas iam subir lá, e falavam assim: “Tem um barulho lá! Tem alguém andando no palco!” E eu falava: “Porra! Não tem ninguém no palco!” / “Não! Vamo lá comigo!” Tinha cara que não subia sozinho nem ferrando. E não tinha ninguém. Mas você realmente escutava os passos. É aquele negócio, é você acreditar ou não. Eu vi, então eu acredito. Mas tem gente que fala que isso não existe. Agora dentro de teatro antigo isso existe. No municipal já tá provado que existe. E o Ruth Escobar também é um teatro antigo. O Sérgio Cardoso os técnicos velhos do Sérgio: o Gaúcho, o Orlando. Os caras contam que o elevador funciona sozinho a noite. Os caras falam isso até hoje. Os caras são técnicos há muitos anos no Sérgio.

Uma vez eu me lembro de uma fase que foi engraçadíssima, esse programa que a gente tava comentando agora da Bravo Brasil, quem montava era o Estevão, e a gente dava suporte técnico de luz do teatro, e o Estevão levou o filho dele, o Júnior. Então ficava o Júnior e o Ney que é filho do Chimanski pra fazer a montagem. E o Júnior tava uma vez lá no palco de madrugada e tava todo mundo meio dormindo. O programa ia ser de manhã, então tava todo mundo meio dormindo, e de repente esse cara acordou assustado. Ele ouviu um barulho e foi sair correndo. E tava abaixado só os cabos de aço da vara. Ele se enroscou num cabo de aço. Enroscou o pescoço no cabo de aço e saiu do chão, porque ele veio correndo. Então ele se enroscou e ficou gritando. E ficou pendurado. Sem brincadeira. Tava eu, o Paulo que fez aqui as cortinas, o Ney, e o cara se enroscou de assustado, saiu gritando e se enroscou no cabo de aço e quase morreu enforcado por causa dos passos que ele ouviu.

Tem umas coisas no Ruth de técnicos que é engraçado. Teve um técnico que tinha 16 anos quando começou lá no Ruth Escobar a fazer teatro. Dois! Eram dois. Os dois tinham 16. Dois caras que hoje trabalham aqui inclusive. E a gente tava fazendo um espetáculo que era o “Eu sei que vou te amar”. Era a Julia (Lemmertz) e o Alexandre (Borges). E lá tinha uma quartelada que abria. E muita gente no palco, porque era um puta palco pesado. Aí tava o Cláudio e o André carregando uma caixa...os caras são loucos. O André de costas, o Cláudio de frente... “olha o buraco!” Foi falar “olha o buraco!”, o cara caiu no buraco. Sumiu o cara e a caixa dentro do buraco! Isso faz 10, 11 anos. Aquele buraco, se ele cai no chão... eu falei “morreu” ...todo mundo falou “o cara morreu”. Porque a distância do palco até lá embaixoé mais ou menos seis, sete metros. E você caindo de costas com uma caixa no peito, já era. Só que cara, é filme! Tem um patamar. Tem a quartelada e tem um patamar pro cara cair no chão. O patamar é dois metros e o buraco é oito metros. Ele caiu no patamar! Ele abraçado com a caixa, assim, no patamar.

Passagem com ator... A Giorgia Gomide caiu do palco. Na Dina Sfat, o palco da Dina Sfat é relativamente alto. Tem mais ou menos um metro, e tinha uma cena que ela vinha de costas. Ela veio, veio... e caiu na platéia! Mas aí tinha médico e tudo bem.

Teve uma cena, se eu não me engano, no espetáculo “Sexo, chocolate e Zambelê”. Era do Eduardinho Silva, do Aldo (Avilez), do Fernando Petelinkar. Era um espetáculo que rodou São Paulo inteira. E eu tinha um técnico...o Seu Nelson. Velhinho, eletricista. Seu Nelson era muito engraçado. Tava tendo espetáculo. Ele sempre tinha pressa de ir embora. “Eu quero ir embora...preciso ir embora...” E ficava lá enchendo o saco. 10h30 da noite, de repente, “Ô Max!” Ele com a chave dos dimers na mão. E todos os atores gritando: “Ei! Acabou a luz!!!” Ele desligou a chave geral da sala e subiu com a chave na mão. As pessoas na platéia gritando: “Porra acende aí...acabou a luz no teatro!” Ele desligou a luz pra ir embora. “Pô! Seu Nelson! Acabou com a luz do teatro! Liga lá! Não acabou o espetáculo!” / “Porra, pensei que tinha acabado o espetáculo.”
E esse mesmo, o Seu Nelson, teve um espetáculo com a Márcia Real, o Nelson Baskerville, e no final a Márcia Real fazia um sorteio de um brinde. Nesse dia, numa quinta-feira, tava vazio o teatro. O Seu Nelson escreveu o nome da família inteira e colocou na urna. E a Márcia Real fazia o sorteio. O sobrenome dele era Massaro. E a Márcia: “Fulano Massaro!” ...ninguém... “Cida Massaro!” ...ninguém... e o público... “Eh! Só sai pra essa família Massaro?!” A Márcia sorteava “Não sei o quê Massaro!” O Público “Ó lá! Só tem Massaro ali!!!” Ela sorteou o nome da família inteira dele que tava dentro da urna.
Aí no dia seguinte. Ele não tinha ficado nesse dia. Eu falei “Ô, Seu Nelson! O senhor foi sorteado. O senhor ganhou uma passagem. A filha do senhor ganhou uma passagem pra Salvador, Hotel Mediterrané!” Ele era italianinho: “Porra, ma eu num tava aqui?!” / “É melhor o senhor falar com a Márcia Real.” / “Porra, vou te que armá uma descurpa, falá que minha filha tava com dor de barriga, e que foi no banheiro.” E ele foi lá falar com a Márcia Real: “Márcia, cês sortearam a passagem pra Salvador, foi minha filha que ganhou, mas ela tava aqui, é que ela tinha ido no banheiro.” A Márcia: “Seu velhinho safado!”